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O QUE É ESSA COLEÇÃO
Sou fã de Iron Maiden há muitos anos. Venho acompanhando os lançamentos desde "Piece of mind", meu primeiro disco de rock, e tive o privilégio de vê-los ao vivo uma vez, em São Paulo, quando promoviam o "Fear of the dark".
Desde os anos 90 tenho acompanhado com certa distância, pois o amor pelos Beatles me consome de tal forma que não consigo me dedicar tanto a outras bandas. A saída de Bruce Dickinson e Adrian Smith, nos anos 90, realmente me desanimou bastante e até hoje não conheço muito bem a fase com o Blaze.
Entretanto, quando toda a discografia saiu em CD duplo, em 95, fiquei enlouquecido. Essa coleção agregava várias de minhas paixões: boa música, material extra e lados B de compactos, inéditos no Brasil. Sempre fui alucinado por lados B, o que muito sofrimento me trouxe, já que aqui no Brasil, como se sabe, raramente temos o lançamento de um single. Com exceção de um maravilhoso carregamento de singles argentinos que a valente Cogumelo conseguiu ainda nos anos 80, eu não tinha acesso a quase nada desse material. Afinal, não havia internet naquele tempo.
Esses CDs duplos, pelo que pude descobrir, foram originalmente editados na Inglaterra pela Castle Records, o que é interessante, já que há pequenas diferencas entre a versão inglesa e a brasileira. Os CDs bônus traziam os lados B de todos os compactos referentes a cada disco e, pelo que eu saiba, foi a primeira e, em alguns casos, única vez que essas faixas apareceram em formato digital e, no caso do Brasil, em qualquer formato. Isso, é claro, descontando algumas edições limitadas e raras até mesmo na Europa, Japão ou EUA. E não é só: os CDs eram todos picture e vinham com ilustrações maravilhosas, tiradas dos singles originais. Para mim, a série tinha ainda um valor adicional, pois englobava exatamente o período durante o qual acompanhei o Iron Maiden de perto.
A GRANDE FASE DO IRON
Essa série engloba os dez primeiros lançamentos e acerta em cheio o grande período do Iron para mim e muitos outros fãs. Desde o "Iron Maiden", percebemos a evolução do Eddie, nas maravilhosas capas de Derek Riggs, que acompanhávamos com tanta atenção quanto a música. A cada álbum a criatura sofria uma transformação, e as marcas disso apareciam no disco seguinte. É assim que vamos o Eddie "normal" até o "The number", apenas com o cabelo maior. Depois ele sofre lobotomia, no "Piece of mind", e desde então não perdeu mais a abertura no crânio, toscamente fechada com aqueles dois parafusos. No "Powerslave" ele morre, para ressucitar no "Live after death", ainda com as correntes do "Piece of mind". Em seguida ele sofre a robotização do "Somewhere in time", para ressurgir, ainda com implantes cibernéticos, no "Seventh son". Não sei se a imagem do torso do Eddie que tem aparecido em lançamentos recentes é uma tentativa de dar continuidade a isso… De qualquer forma claramente algo se rompeu na cadeia. Outros elementos eram diversão também, como a silhueta da morte, as infinitas referências no "Somewhere in time", ou aquele símbolo semelhante a uma face, que nunca consegui saber ao certo se era mesmo marca da banda ou assinatura do Derek Riggs.
Tudo era muito diferente na época, o que é engraçado lembrar hoje. Mesmo quem sabia inglês traduzia "Piece of mind" por "pedaço de mente" e "live after death" por "vida após a morte". As pessoas simplesmente não tinham o traquejo para entender trocadilhos e outros jogos humorísiticos que, eu vejo agora, são muito comuns no Iron Maiden.
A NOVA FASE DO IRON
Para mim essa fase foi se desfazendo aos poucos. O "Seventh son" fechou o ciclo. Depois, com a saída do Adrian Smith a partir do "No Prayer for the dying", ficou claro que algo estava em transformação, até mesmo na capa, que era de certa forma repetitiva, pois usava o mesmo tema do "Live after death" e era muito simplificada, talvez numa tentativa de adequar a exuberante arte típica da banda ao formato do CD. As canções não eram inspiradas e em alguns momentos, a exemplo da capa, repetiam fórmulas já usadas, como em "The assassin", que é praticamente um reedição inferior de "Killer". A saída de Derek Riggs a partir do "Fear of the dark" deixou um grande vazio que a arte 3D de "X Factor" nunca vai poder preencher. Quando finalmente a banda perdeu ao mesmo tempo Bruce Dickinson e o produtor Martin Birch, senti claramente que minha era com o Iron havia terminado.
Não é que não goste do Blaze. Muito pelo contrário, ele é muito carismático e dono de um estilo próprio. De certa forma, a saída dele foi até um retrocesso artístico para o Iron, pois representou uma aposta na receita consagrada e não uma tentativa de inovação.
Claro; fiquei feliz com a boa notícia de que Bruce Dickinson e Adrian Smith haviam voltado. Mas aí já estava em outro momento de minha vida, assim como muitos fãs, e agora tenho uma forma diferente de me relacionar com a banda, de um jeito já um pouco saudosista.
VALOR DESSA COLEÇÃO
De qualquer forma, o Iron sempre foi será uma banda muito querida, um grupo de talentos impressionantes, que eu talvez nem conseguisse entender bem na época, mas que hoje, nesse resgate, me encantam sempre mais. Por isso, poder realizar o velho sonho de ter as faixas bônus é uma grande experiência, e eles certamente merecem esse investimento.
Na época não pude comprar todas as edições em CD duplo, mas em 2004 finalmente completei minha coleção, depois de anos de garimpo. Desnecessário dizer que hoje esses CDs são raros, muito procurados e valiosos. Conselho de colecionador: comprar o material na época de seu lançamento e caro e difícil, mas, anos mais tarde, é muito mais caro e muito mais difícil! Por isso, se tem amor por um artista e se interessa por esse tipo de material, faça o possível para adquiri-lo enquanto ainda está nas lojas comuns.
No final dos anos 90, foi feita uma reedição muito boa da coleção do Iron Maiden, com som remasterizado e no formato CD enhanced, que permitiu a inclusão de vídeo-clipes. Essa série incorporou aos discos originais um ou outro daqueles lados B. Em 2003, a caixa Eddie Archives, na seção Best of B-sides, voltou a colocar várias daquelas raridades no mercado, porém de forma parcial, omitindo, por exemplo, quase todas as faixas gravadas ao vivo. Por isso, a coleção de 95 é, até o momento, a mais completa e definitiva edição em CD dessas incríveis gravações.
Muito me impressionou o fato de que, apesar de perder muitas madrugadas de férias vasculhando a internet, eu não tenha encontrado um site com a relação de todos os bônus lançados nessa coleção. Por isso, decidi, por uma questão de utilidade pública e registro histórico, fazer isso eu mesmo.
Assim, orgulhosamente apresento, pela primeira vez na internet ou em qualquer lugar (que eu saiba), a relação completa do material bônus presente na reedição da discografia do Iron Maiden de 1995.
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