A reforma do
FALCON
Uma de minhas grandes frustrações quando criança era minha incapacidade de manter um Falcon inteiro. Para minimizar o probelma, à medida que as partes iam se soltando eu as pregava com durex, durepox, cola ou outra coisa que segurasse as peças do boneco. Os resultados eram horríveis, mas graças a isso mantive todos os meus Falcon completos até o dia em que soube consertá-los.
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Eu me incomodava muito com a idéia de que o motivo das peças se soltarem era falta de cuidado. Não adiantava: cuidava dos Falcons como se fossem vivos, mas, algum tempo depois, estavam aos pedaços. Um dia, já entrando na adolescência, descobri o que provavelmente foram os últimos cinco Falcons em uma loja tradicional aqui de Belo Horizonte. Minha lembrança é de que, entusiasmado, pedi um de Natal. Tinha certeza de que, agora, mais crescidinho, conseguiria manter o boneco inteiro. Qual não foi minha surpresa quando, anos depois, fui todo orgulhoso mostrar meu Falcon na caixa para alguém e descobri que ele também havia se desmontado! Só então soube que a desconstrução do Falcon não tem nada a ver com falta de cuidado: é resultado da degradação natural da borracha que é usada em suas articulações.
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De certa forma fiquei aliviado, pois finalmente soube que não tinha culpa dos meus Falcons sempre se quebrarem. Por outro lado, me afligia o fato de saber que nunca conseguiria ter um Falcon inteiro, apesar de que nunca desisti da idéia, motivo pelo qual guardei todas as peças, de todos eles.
Foi muitos anos depois que tive a idéia de reconstruir os Falcons com elástico, procedimento que, soube depois, muita gente faz. Gostaria de compartilhar a experiência passo a passo com quem viveu angústias semelhantes, mostrando em detalhe como foi a reforma daquele último Falcon que comprei e que mantive na caixa todos esses anos.
A primeira foto mostra todo o material usado, exceto a superbonder, que acabou sendo necessária em um dos braços. As fotos seguintes mostram a cirurgia acontecendo. Bom divertimento!
PRIMEIRO PASSO: Abertura
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Esse é o estado do Falcon no início do processo. Parece não haver salvação... Parte do braço ainda se prende, com durex, ao tórax - sim, sim, eu conheço o trocadilho. |
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Iniciamos a reforma abrindo braços e coxas com um canivete. Isso é necessário para passarmos o elástico nessas partes. |
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Acho que é possível passar o elástico sem desmontar as peças, mas depois de muitas tentativas não obtive sucesso. |
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O jeito é abrir com bastante cuidado, para não danificar as peças. Um pouco de água quente pode ajudar, mas atenção! Se o tempo de imersão for mais do que o necessário, as peças podem ficar danificadas. |
![]() | Eis o que temos ao final dessa etapa. À direita, todas as peças. À esquerda, tudo o que restou das borrachas que articulavam nosso herói. |
SEGUNDO PASSO: Limpeza
![]() | A deterioração da borracha deixa muitos resíduos. Usei o canivete e uma chave para removê-los, mas, como as peças ficam com uma viscosidade, é preciso lavá-las depois com água, sabão e uma pequena escova. Para remover os restos de cola de tentativas anteriores de conserto, simplesmente mergulhei o tórax em água quente por alguns segundos. |
TERCEIRO PASSO: Elásticos
![]() | Na base do acerto e erro, cheguei à consclusão de que é melhor começar o elástico pela articulação do calção. Para ficar perfeito, é preciso dar o nó na peça interna da coxa e depois virar o nó para dentro dessa peça. Ao amarrar o pé, podemos usar o próprio elástico para puxar o laço por dentro da peça. Feito tudo isso, é só encaixar. Se o desmanche com o canivete tiver sido suficientemente delicado, como ocorreu aqui, talvez nem seja preciso usar superbonder. O mesmo processo deve ser repetido nos braços, que podem ser amarrados no mesmo elástico. O tamanho do laço para que cada peça fique com a pressão certa é difícil de calcular, já que o elástico é maleável. Vale o sentimento e a tentativa e erro. |
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ATENÇÃO: Veja mais ao final desta página uma alternativa melhor para a amarração do elástico do braço, que desenvolvi posteriormente.
QUARTO PASSO: Cabeça
Essa é a etapa mais delicada, tanto para o boneco quanto para quem faz o conserto. Ela envolve perigos reais, inclusive com conseqüências físicas. Se não tem o equipamento adequado para se proteger ou estiver inseguro, não execute. Se é criança e está querendo reformar o Falcon que seu pai guarda naquela caixa velha, DESISTA! Não tente de jeito nenhum fazer isso sem um adulto!
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1. É difícil tirar o pino que articula a cabeça do Falcon sem danificá-la. Por isso, deixei a base da cabeça por alguns segundos em água fervente. É preciso atenção, pois a exposição prolongada ao calor pode danificar a cabeça. | ![]() |
2. Com a cabeça fora da panela, removi o pino de articulação delicadamente, com um canivete. |
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3. Aqui vem o perigo. Em um Falcon com olhos pintados, é possível usar uma porca para prender o elástico do lado superior do pino. No olhos de águia, porém, a porca não cabe dentro da cabeça, por causa do mecanismo de movimentação dos olhos. Foi preciso, então, cortar a porca. Esse procedimento é perigoso, pois a ferramenta gira milhares de vezes por minuto, produzindo muito calor também, com faíscas. Um descuido pode provocar queimaduras e machucados sérios. Segurar a porca com alicate e usar óculos de proteção é fundamental. | ![]() |
4. Passado esse sufoco, é só prender o pino com elástico. |
QUINTO PASSO: Montagem
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Nosso herói está praticamente pronto! Basta recolocar a cabeça e... voilá! Muitos anos depois, ele está pronto para salvar nossos sonhos mais uma vez! |
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ADENDO DE 23 DE JULHO DE 2005:
nova amarração do elástico no braço
| Desde que montei o primeiro Falcon, fiquei meio incomodado com a amarração do elástico no braço. Da forma como mostrado aqui, o braço não mantinha o movimento original. Quando colocado na posição perpendicular ao tórax, a tensão no elástico puxava o braço de volta a sua posição natural. | Depois de muitos falcon reconstruídos, finalmente a idéia óbvia me bateu: usar elásticos independentes para as articulações do braço e antebraço. Para o antebraço, mantive a amarração original, tal como mostrada aqui. Para os braços, porém, cheguei à conclusão de que o melhor é fazer uma argola de elástico passando por dentro do tórax, prendendo-a por dentro do braço com uma pequena haste, que pode ser um pedaço de clipe cortado com alicate. |
Veja o resultado:

| Aliás, cheguei à conclusão de que não é preciso desmontar o tórax para passar o elástico por dentro dele. Basta enfiar elástico por dentro de um pino e puxar pelo outro lado, usando para isso um pequeno gancho, que pode ser um clipe modificado. | Nesse Ruivo Olhos de Águia, por exemplo, não fazia sentido desmontá-lo, já que muitas das articulações originais ainda existiam. O que fiz, então, foi enfiar o elástico pelo orifício do braço, puxá-lo com o gancho por um lado do pino próximo ao pescoço, enfiá-lo de volta no tórax pelo outro lado e finalmente puxá-lo para fora pelo mesmo orifício do tórax. Aí foi só fazer a amarração e prender o elástico no braço usando um clipe cortado como haste. |
Como se pode ver pela última foto, dessa forma a articulação original ficou intacta.
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